Um novo relatório confirma o que muitos temiam na área da saúde: os ataques cibernéticos já não são apenas um problema de TI; eles são uma ameaça direta à segurança do paciente. O quarto relatório anual, intitulado “Insegurança cibernética na saúde: o custo e o impacto na segurança e nos cuidados do paciente 2025“, foi divulgado hoje pela empresa de segurança cibernética Ponto de prova e o Instituto Ponemon. Depois de entrevistar 677 profissionais de TI da área de saúde dos EUA, as descobertas são contundentes: 72% das organizações de saúde que foram atacados relataram uma interrupção resultante no atendimento ao paciente, acima dos 69% do ano passado. Isto é importante porque “perturbação” é uma palavra suave para o que está a acontecer. O relatório associa estes ataques ao aumento de complicações em procedimentos médicos, internamentos hospitalares mais longos e taxas de mortalidade de pacientes ainda mais elevadas.
O alto custo de uma violação de segurança
Durante anos, o custo de um ataque cibernético foi medido em dólares. Este relatório, no entanto, mede isso nos resultados dos pacientes. Os dados pintam um quadro sombrio de um sector sob constante cerco, com 93% das organizações enfrentando pelo menos um ataque cibernético no ano passado, com uma média de 43 ataques por organização. Pense desta forma: a queda da rede de um hospital não é apenas um “incômodo operacional”. É uma ameaça direta à sua saúde. Quando os sistemas são comprometidos, as consequências são imediatas e graves:
- 54% das organizações relataram um aumento complicações de procedimentos médicos.
- 53% vi a permanência dos pacientes ficar mais longa.
- 29% relatou que taxas de mortalidade aumentaram como resultado direto do ataque cibernético.
Embora o custo médio do ataque mais significativo tenha caído ligeiramente para US$ 3,9 milhõesos pagamentos de resgate estão aumentando. O resgate médio pago pelos hospitais saltou para US$ 1,2 milhãoum aumento de 60% em relação a 2022.
Nem todos os ataques são criados iguais
Os pesquisadores analisaram quais tipos específicos de ataques causam mais danos. Acontece que a maior ameaça nem sempre é aquela de que você mais ouve falar.
- Ataques à cadeia de abastecimento: Embora menos comuns, estes eram os provavelmente impactar o atendimento ao paciente. Quando um ataque atinge um fornecedor terceirizado, 87% dos hospitais relataram uma interrupção nos serviços aos pacientes.
- Comprometimento de e-mail comercial (BEC): É quando um golpista se faz passar por médico ou administrador por e-mail. Foi o ataque com maior probabilidade de causar atrasos em procedimentos e testes que resultaram em resultados ruins (65%).
- Ransomware: Esta foi a principal causa internações hospitalares mais longas (67%) e forçou os hospitais a desviar ou transferir pacientes para outras instalações (50%).
- Comprometimento da nuvem/conta: Este foi o ataque mais comum, atingindo 72% das organizações. Alarmantemente, 36% daqueles que sofreram este ataque relataram taxas de mortalidade mais altas.
O problema é humano
Então, quem é o culpado? Os hackers são a resposta óbvia, mas o relatório aponta para um problema interno mais complicado: nós. O estudo descobriu que 96% das organizações teve pelo menos dois incidentes de perda ou roubo de dados confidenciais nos últimos dois anos. As principais causas não foram hacks sofisticados, mas simples erros humanos: 35% foram devido ao não cumprimento das políticas pelos funcionários, e 25% eram de funcionários sem querer enviar dados do paciente para a pessoa errada por e-mail. Esta não é apenas uma questão de privacidade; é uma questão de segurança. Em 55% destes incidentes de perda de dados, o atendimento ao paciente foi interrompido. Desse grupo, um chocante 54% viram aumento nas taxas de mortalidade.
Qual é a solução?
Aqui está a verdadeira reviravolta: o maior obstáculo para consertar isso não é o dinheiro. Os orçamentos para segurança de TI aumentaram. O verdadeiro problema, segundo a pesquisa, é a falta de experiência interna (43%) e um ausência de liderança clara (40%). “As descobertas deste ano são um alerta para o setor de saúde”, disse o Dr. Larry Ponemon, fundador do Instituto Ponemon. “A causa raiz de muitos incidentes está em fatores humanos – negligência, risco interno e lacunas na conscientização cibernética.” O relatório deixa claro que as organizações de saúde devem parar de tratar a segurança cibernética como uma questão de TI de back-office. Como disse Ryan Witt, da Proofpoint: “A segurança do paciente é inseparável da segurança cibernética”. Os próximos passos devem ser “centrados no ser humano”, centrando-se numa melhor formação e numa abordagem mais inteligente.





