No que muitos chamam de “Ano da IA Incorporada”, Meta deu um grande passo no avanço das capacidades robóticas através de um conjunto de novas tecnologias. A divisão Fundamental AI Research (FAIR) da Meta introduziu recentemente três artefatos de pesquisa – Meta Sparsh, Meta Digit 360 e Meta Digit Plexus – cada um trazendo avanços na percepção de toque, destreza e colaboração humano-robô.
O que é IA incorporada e por que isso é importante?
IA incorporada refere-se a sistemas de inteligência artificial projetados para existir e operar no mundo físico, compreendendo e interagindo com o ambiente ao seu redor de maneiras que imitam a percepção e as ações humanas. Os sistemas tradicionais de IA são excelentes na análise de dados, mas ficam aquém quando aplicados a tarefas físicas, que requerem não apenas visão, mas também feedback sensorial, como o toque. Ao construir IA incorporada, os pesquisadores pretendem criar robôs que possam detectar, responder e até mesmo se adaptar ao seu ambiente, preenchendo a lacuna entre a inteligência digital e a funcionalidade do mundo real.
As inovações da Meta em IA incorporada visam alcançar o que seu cientista-chefe de IA, Yann LeCun, chama de Inteligência de Máquina Avançada (AMI). Este conceito prevê máquinas que são capazes de raciocinar sobre causa e efeito, planear ações e adaptar-se às mudanças no seu ambiente, passando assim de meras ferramentas a assistentes colaborativos.
Avanços da Meta em IA incorporada: Sparsh, Digit 360 e Digit Plexus
Os recentes anúncios da Meta sublinham o seu compromisso em enfrentar as limitações da tecnologia robótica atual. Vamos explorar os recursos de cada nova ferramenta.
Meta Sparsh: A base da detecção tátil
Meta Sparsh, que significa “toque” em sânscrito, é um modelo de detecção tátil baseado em visão, o primeiro de seu tipo, que permite aos robôs “sentir” superfícies e objetos. Sparsh é um codificador de uso geral que se baseia em um banco de dados de mais de 460.000 imagens táteis para ensinar robôs a reconhecer e interpretar o toque. Ao contrário dos modelos tradicionais que exigem treinamento específico para tarefas, o Sparsh aproveita o aprendizado autossupervisionado, permitindo-lhe adaptar-se a várias tarefas e sensores sem a necessidade de extensos dados rotulados.
Essa capacidade de generalizar é fundamental para robôs que precisam realizar uma ampla gama de tarefas. Sparsh funciona com diversos sensores táteis, integrando-se perfeitamente em diferentes configurações robóticas. Ao permitir que os robôs percebam o toque, o Sparsh abre oportunidades em áreas onde a manipulação hábil e o feedback tátil são essenciais, como em aplicações médicas, cirurgia robótica e fabricação de precisão.

Meta Digit 360: detecção tátil de nível humano em robótica
Digit 360 é o novo sensor tátil na ponta dos dedos da Meta projetado para replicar o toque humano. Equipado com 18 recursos de detecção distintos, o Digit 360 fornece dados táteis altamente detalhados que podem capturar mudanças mínimas na superfície, força e textura de um objeto. Construído com mais de 8 milhões de “taxels” (pixels táteis), o Digit 360 permite que os robôs detectem forças tão sutis quanto 1 milinewton, melhorando sua capacidade de realizar tarefas complexas e diferenciadas.
Este avanço na detecção tátil tem aplicações práticas em vários campos. Na área da saúde, o Digit 360 pode ser usado em próteses para proporcionar aos pacientes uma maior sensação de tato. Na realidade virtual, poderia melhorar experiências imersivas, permitindo aos utilizadores “sentir” objetos em ambientes digitais. A Meta está fazendo parceria com a GelSight Inc para comercializar o Digit 360, com o objetivo de torná-lo acessível à comunidade de pesquisa mais ampla no próximo ano.

Meta Digit Plexus: uma plataforma para mãos robóticas habilitadas para toque
O terceiro grande lançamento da Meta, Digit Plexus, é uma plataforma padronizada de hardware e software projetada para integrar vários sensores táteis em uma única mão robótica. O Digit Plexus combina sensores na ponta dos dedos e na palma da mão, proporcionando aos robôs um sistema de resposta ao toque mais coordenado e semelhante ao humano. Essa integração permite que os robôs processem feedback sensorial e façam ajustes em tempo real durante as tarefas, de forma semelhante à forma como as mãos humanas operam.
Ao padronizar o feedback de toque em toda a mão robótica, o Digit Plexus aprimora o controle e a precisão. A Meta prevê aplicações para esta plataforma em áreas como fabricação e manutenção remota, onde o manuseio delicado de materiais é essencial. Para ajudar a construir uma comunidade robótica de código aberto, a Meta está disponibilizando gratuitamente os designs de software e hardware do Digit Plexus.

Parcerias da Meta com GelSight Inc e Wonik Robotics
Além desses avanços tecnológicos, a Meta firmou parcerias para acelerar a adoção da detecção tátil na robótica. Colaborando com GelSight Inc e Wonik Robotics, a Meta pretende levar suas inovações a pesquisadores e desenvolvedores em todo o mundo. A GelSight Inc cuidará da distribuição do Digit 360, enquanto a Wonik Robotics fabricará o Allegro Hand – uma mão robótica integrada ao Digit Plexus – com lançamento previsto para o próximo ano.
Estas parcerias são significativas porque representam uma mudança no sentido da democratização da tecnologia robótica. Ao disponibilizar amplamente estes sistemas tácteis avançados, a Meta está a promover um ecossistema colaborativo que poderá gerar novas aplicações e melhorar o desempenho dos robôs em todas as indústrias.
PARTNR: Uma nova referência para colaboração humano-robô
A Meta também está introduzindo o PARTNR (Planning And Reasoning Tasks in humaN-Robot Collaboration), um benchmark projetado para avaliar modelos de IA em interações humano-robô em ambientes domésticos. Construído no simulador Habitat 3.0, o PARTNR oferece um ambiente realista onde os robôs podem interagir com os humanos através de tarefas complexas, desde tarefas domésticas até navegação no mundo físico.
Com mais de 100.000 tarefas baseadas em idiomas, o PARTNR oferece uma forma padronizada de testar a eficácia dos sistemas de IA em cenários colaborativos. Este referencial visa impulsionar a investigação sobre robôs que atuem como “parceiros” e não como meras ferramentas, dotando-os da capacidade de tomar decisões, antecipar as necessidades humanas e prestar assistência em ambientes quotidianos.
Créditos da imagem: meta