O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, trouxe à tona a suposta censura exercida pelo governo dos EUA em relação à moderação de conteúdo durante a pandemia da COVID-19. As declarações do magnata da tecnologia, contidas em uma carta endereçada ao Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA, incendiaram discussões sobre a influência da política nas políticas de conteúdo de mídia social.
Alegações de censura do CEO da Meta
Carta de Zuckerberg detalha explicitamente as interações com a Administração Biden durante 2021. Ele afirma: “Em 2021, altos funcionários da Administração Biden, incluindo a Casa Branca, pressionaram repetidamente nossas equipes por meses para censurar certos conteúdos sobre a COVID-19, incluindo humor e sátira”. O CEO da Meta expressou arrependimento pela decisão da empresa de ceder a essa pressão, enfatizando que a intervenção do governo foi inapropriada.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS: Mark Zuckerberg acaba de admitir ter trabalhado com o governo Biden/Harris para censurar americanos.
Ele admitiu isso porque:
1. Ele está sendo honrado
2. Ele acabou com o partido Democrata
3. Ele está se adiantando a um denuncianteDe qualquer forma, esta é uma carta MUITO DIFÍCIL de escrever. foto.twitter.com/y64cOQjY15
— Patrick Bet-David (@patrickbetdavid) 27 de agosto de 2024
O discurso em torno da moderação de conteúdo de mídia social não é novo. Plataformas como o Facebook têm sido frequentemente criticadas pela forma como lidam com a desinformação e pelo equilíbrio que estabelecem entre a liberdade de expressão e a segurança pública. Durante a pandemia, o Facebook removeu mais de 20 milhões de postagens que foram julgadas como contendo desinformação prejudicial sobre a COVID-19. Essa ação tem sido parte de uma disputa mais ampla sobre o papel que as empresas de mídia social devem desempenhar na regulamentação do conteúdo do usuário.
Mark Zuckerberg destaca pressão política
Aumentando a controvérsia, Zuckerberg também abordou ações passadas relacionadas a conteúdo político, referindo-se especificamente ao tratamento dado pela empresa a um artigo do New York Post sobre Hunter Biden antes da eleição presidencial dos EUA de 2020. Inicialmente, o Facebook havia rebaixado a visibilidade desta história após advertências do FBI sobre potencial desinformação russa. Zuckerberg agora lamenta esta decisão, afirmando: “Desde então, ficou claro que a reportagem não era desinformação russa e, em retrospecto, não deveríamos ter rebaixado a história.”

Essa admissão ocorre em um momento crítico, enquanto os EUA se preparam para outra eleição presidencial, com debates se intensificando em torno da neutralidade das plataformas de mídia social. Zuckerberg prometeu manter uma postura apartidária, enfatizando: “Meu objetivo é ser neutro e não desempenhar um papel de uma forma ou de outra — ou mesmo parecer estar desempenhando um papel”. Ele também declarou sua intenção de se abster de fazer contribuições políticas semelhantes às que fez durante o último ciclo eleitoral, que alguns perceberam como politicamente tendenciosas.
A resposta de figuras políticas foi polarizada. O representante de Ohio Jim Jordan, um republicano, elogiou a carta de Zuckerberg como uma “grande vitória para a liberdade de expressão”. Ele tem sido vocal sobre sua crença de que o governo Biden influenciou indevidamente as plataformas de mídia social para suprimir pontos de vista conservadores. As recentes revelações de Zuckerberg forneceram a ele e a indivíduos com ideias semelhantes munição adicional neste debate em andamento.
Mark Zuckerberg acaba de admitir três coisas:
1. Administração Biden-Harris "pressionado" Facebook vai censurar americanos.
2. O Facebook censurou os americanos.
3. O Facebook sufocou a história do laptop de Hunter Biden.
Grande vitória para a liberdade de expressão. foto.twitter.com/ALlbZd9l6K
— Judiciário da Câmara GOP
(@JudiciaryGOP) 26 de agosto de 2024
Acordo secreto exposto entre Google e Meta
Por outro lado, a Casa Branca defendeu sua abordagem durante a pandemia em uma declaração, afirmando que a administração promoveu ações responsáveis para proteger a saúde pública e encorajou empresas privadas a considerar o impacto de suas decisões na população americana. A declaração reforçou a posição da administração: “Nossa posição tem sido clara e consistente: acreditamos que as empresas de tecnologia e outros atores privados devem levar em conta os efeitos que suas ações têm sobre o povo americano, ao mesmo tempo em que fazem escolhas independentes sobre as informações que apresentam.”
As divulgações de Zuckerberg são parte de uma conversa maior e contínua sobre até que ponto as plataformas de mídia social devem policiar seu conteúdo. O debate abrange uma gama de opiniões, desde aquelas que defendem a interferência mínima até aquelas que acreditam em medidas proativas para evitar a disseminação de conteúdo prejudicial.
Como a mídia social continua a ser um fórum primário para o discurso público, a tensão entre a liberdade de expressão e a moderação de conteúdo continua sendo uma questão controversa. Com executivos de mídia social como Zuckerberg e o ex-CEO do Twitter, Jack Dorsey, expressando arrependimentos sobre decisões de moderação passadas, o diálogo sobre o nível apropriado de controle de conteúdo e suas implicações para a liberdade de expressão provavelmente continuará.
Crédito da imagem em destaque: Meta